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Bom Jesus: Família autoriza doação de órgãos de jovem que faleceu em acidente em Marechal

Marini

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Bom Jesus: Família autoriza doação de órgãos de jovem que faleceu em acidente em Marechal

Kauã Henrique Giacomini Benitez, vítima de um grave acidente de trânsito em Marechal Cândido Rondon, teve seus órgãos doados após a confirmação da morte encefálica, possibilitando que pessoas recebam uma nova chance de viver.

A morte encefálica foi confirmada na noite de ontem (06), no Hospital Bom Jesus, em Toledo, onde Kauã estava internado desde terça-feira (03).

Bom Jesus: Família autoriza doação de órgãos de jovem que faleceu em acidente em Marechal

Naquela noite, ele sofreu ferimentos gravíssimos após uma colisão entre a motocicleta que conduzia enquanto trabalhava como entregador, e um automóvel, no cruzamento das ruas Ceará e Dom João VI, em Marechal.

Na manhã deste sábado (07), a equipe de reportagem do Portal Nova Santa Rosa acompanhou de perto todo o processo de captação dos órgãos, desde a mobilização das equipes médicas no hospital até a decolagem da aeronave responsável pelo transporte.

Com a autorização dos pais, foi realizado um procedimento de captação multiorgânica, envolvendo coração, fígado, rins, baço e linfonodos, além das duas córneas. Os materiais captados tiveram encaminhamentos conforme a organização do sistema estadual de transplantes.

Uma aeronave especializada, procedente de Curitiba, chegou ao Aeroporto Municipal de Toledo por volta das 7h desta manhã, transportando parte dos profissionais responsáveis pela cirurgia. Entre eles estavam as médicas Carolina  e Edilaine, integrantes da equipe da Santa Casa de Curitiba, responsável pela captação do coração.

Também participaram dos trabalhos o médico Mateus Takahashi, da Uopeccan de Cascavel, e o enfermeiro Marcelo, do Banco de Olhos de Cascavel, responsável pela retirada das córneas.

Após os procedimentos, uma operação de urgência mobilizou equipes da Guarda Municipal de Toledo, que realizaram a escolta dos órgãos entre o Hospital Bom Jesus e o aeroporto. O coração, o fígado e rins seguiram de aeronave. O coração, que exige um intervalo especialmente curto entre a retirada e o transplante, tinha como destino a Santa Casa de Curitiba.

Um sim que representa esperança para outras famílias

Em entrevista exclusiva, Itamar Weiwanko, coordenador da Equipe de Doação de Órgãos para Transplantes do Hospital Bom Jesus, destacou a importância da decisão tomada pelos familiares em um momento de profunda tristeza.

“Esse ato de amor, esse ato nobre, acaba acontecendo depois de um sim da família que recebe essa má notícia, essa notícia triste, que o seu ente acabou falecendo”, explicou.

Segundo Itamar, os pais de Kauã, mesmo diante da dor, prontamente autorizaram a doação após receberem acolhimento da equipe hospitalar.

“É após esse sim que outras vidas têm a oportunidade, têm uma nova chance”, ressaltou.

O coordenador também lembrou que mais de 5.700 pessoas aguardam por um órgão na fila de transplantes no Paraná, número que demonstra a importância da conscientização sobre a doação.

Entre lágrimas e gratidão uma despedida marcada pelo amor

No aeroporto de Toledo, familiares e amigos acompanharam, emocionados, a partida da aeronave que transportava os órgãos de Kauã. Entre a tristeza da despedida e o sentimento de orgulho, estava a certeza de que o jovem deixava um legado de solidariedade.

O professor Osmar Amorim, da Escola Municipal Osvino Carlos Weirich, de Marechal Cândido Rondon, familiar de Kauã, conversou com a reportagem e fez um relato emocionante.

“A gente pode fazer duas coisas: ou lamentar a perda dele, que a gente vai lamentar o resto da vida e se entristecer, ou a gente pode agradecer o tempo que ele passou conosco, que foi uma pessoa incrível, que passou pela nossa vida para ensinar muita coisa para nós. E ainda agora ele está salvando vidas. Não é em vão a passagem dele aqui, ele está salvando vidas”, declarou.

O pai, a irmã e outros familiares de Kauã são de Nova Santa Rosa, município que também acompanha com tristeza a partida precoce do jovem.

Após a captação dos órgãos, o corpo foi encaminhado ao necrotério do Hospital Bom Jesus e, posteriormente, ao Instituto Médico-Legal (IML) de Toledo, onde serão realizados os procedimentos necessários antes da liberação para os atos fúnebres.

Kauã partiu aos 20 anos, mas sua história não termina com a despedida. Por meio da decisão generosa de sua família, a vida do jovem continuará representando esperança para outras pessoas. Um último gesto de amor que transforma a dor da perda na possibilidade de novos recomeços.

Marini

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