A constante alternância de temperatura tem sido um desafio para a saúde, especialmente com a chegada da primavera, período marcado por mudanças nas condições climáticas. Diante desse cenário, a Hoesp alerta para a importância de adotar cuidados preventivos para proteger o organismo durante os períodos de instabilidade, que podem favorecer o surgimento e o agravamento de alergias, rinites, sinusites e síndromes respiratórias virais.
De acordo com o médico generalista da Hoesp, Dr. Cláudio Henrique Hayashi, as mudanças bruscas de temperatura exigem uma adaptação constante do organismo. “Quando transitamos de um dia quente para um dia frio, ou saímos de ambientes climatizados para o calor da rua, as vias aéreas superiores reagem imediatamente. O ar muito seco ou frio resseca a mucosa nasal, reduzindo uma das primeiras barreiras naturais de defesa do organismo. Isso pode tornar o sistema respiratório mais vulnerável tanto à ação de alérgenos, como poeira e ácaros, quanto à presença de vírus e bactérias”, explica.
Durante os períodos de oscilação climática, também é comum a dúvida sobre a origem dos sintomas, principalmente quando há congestão nasal, coriza e espirros. Segundo o médico, algumas características podem ajudar a diferenciar uma crise alérgica de um quadro viral, embora a avaliação profissional seja necessária para confirmar o diagnóstico.
“Quadros de rinite e alergias respiratórias costumam provocar coceira no nariz, nos olhos ou na garganta, espirros frequentes, congestão nasal e coriza transparente e fluida. Em geral, não estão associados à febre ou às dores no corpo. Já gripes e resfriados, que são causados por vírus, podem apresentar, além dos sintomas nasais, febre, dor no corpo, fadiga, dor de cabeça e secreção nasal mais espessa”, detalha Hayashi.
Para reduzir os impactos das mudanças bruscas de clima, alguns cuidados simples podem ser incorporados à rotina. A hidratação das vias respiratórias é uma das principais medidas recomendadas. Ela pode ser feita através da lavagem nasal ou da inalação com soro fisiológico a 0,9%. A ingestão adequada de água também deve ser mantida independentemente da temperatura. Outro cuidado importante é manter os ambientes ventilados. Mesmo nos dias mais frios, portas e janelas devem ser abertas sempre que possível para favorecer a circulação do ar e reduzir o acúmulo de poeira, fungos e outros agentes que podem desencadear sintomas respiratórios.
Embora muitas crises alérgicas possam ser controladas com medidas preventivas e acompanhamento de rotina, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica. Falta de ar, chiado no peito ou dificuldade para respirar são situações que exigem atenção e podem necessitar de atendimento imediato. O mesmo vale para febre alta persistente, especialmente quando não apresenta melhora com medidas habituais ou permanece por mais de 48 horas, tosse intensa e prolongada acompanhada de secreção escura ou presença de sangue, prostração excessiva, tontura ou dificuldade para ingerir líquidos.
“Quando os sintomas são intensos, persistentes ou apresentam sinais de agravamento, é importante procurar atendimento médico. Uma avaliação adequada permite identificar a causa do quadro e indicar o tratamento mais apropriado”, orienta Hayashi.
O acompanhamento profissional também é importante para evitar a automedicação. “É fundamental evitar o uso de medicamentos por conta própria, principalmente descongestionantes nasais e antibióticos. O uso indiscriminado dessas medicações pode provocar efeitos adversos e, no caso dos antibióticos, não apresenta benefício contra infecções virais”, alerta o médico.