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Toledo • PR

POLÍCIA CIVIL E MP INVESTIGAM POSSÍVEL DESVIO DE DONATIVOS DESTINADOS ÀS VÍTIMAS DO TORNADO EM RIO BONITO DO IGUAÇU

por: Marini

Leitura: 3 minutos

A destinação dos donativos arrecadados para as famílias atingidas pelo tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, passou a ser alvo de uma investigação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) e do Ministério Público do Paraná (MPPR).

Nesta quarta-feira (2), equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em órgãos públicos municipais, dentro de uma investigação que apura a possível prática de peculato, relacionada a eventual apropriação ou desvio de bens que deveriam ter sido entregues à população atingida pelo desastre.

As buscas ocorreram na Secretaria Municipal de Assistência Social e no barracão do Centro de Eventos de Rio Bonito do Iguaçu, locais utilizados para receber, armazenar e organizar os donativos antes da distribuição.

Documentos e notebooks são recolhidos

Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos documentos e equipamentos de informática, entre eles notebooks. O material deverá passar por análise para auxiliar os investigadores a reconstruir a movimentação e a destinação dos produtos recebidos.

A investigação procura esclarecer o caminho percorrido pelos alimentos, roupas, materiais de higiene e demais donativos que ficaram sob responsabilidade do poder público, verificando se os produtos chegaram aos destinatários ou se parte deles teve outra destinação.

A apuração está sob responsabilidade da 2ª Subdivisão Policial de Laranjeiras do Sul, em conjunto com o Ministério Público. A unidade policial tem Rio Bonito do Iguaçu dentro de sua área oficial de atuação.

Cidade recebeu grande mobilização de solidariedade

A investigação ganha dimensão ainda maior diante da enorme corrente de solidariedade formada após o tornado de 7 de novembro de 2025.

O fenômeno provocou uma destruição sem precedentes no município. Segundo informações oficiais reunidas pelo Ministério Público, cerca de 90% da cidade foi atingida, com mortes, pessoas feridas, desabrigadas e desalojadas.

Nas semanas seguintes, campanhas foram organizadas em diferentes municípios e estados para arrecadar alimentos, água, colchões, roupas, materiais de higiene e limpeza e outros produtos essenciais.

A mobilização envolveu prefeituras, Defesa Civil, entidades, empresas e moradores. São Miguel do Iguaçu, por exemplo, encaminhou uma nova remessa de donativos ao município ainda em novembro de 2025.

Documentação pública da própria Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu mostra que houve estrutura destinada especificamente ao armazenamento e à distribuição dos donativos, inclusive com previsão de funcionamento aos finais de semana e feriados conforme a necessidade da Secretaria de Assistência Social e da Defesa Civil.

Polícia já acompanhava possíveis irregularidades envolvendo doações

Poucos dias depois da tragédia, a Polícia Civil já havia informado que estava acompanhando possíveis irregularidades relacionadas às doações.

Em 14 de novembro de 2025, uma semana após o tornado, a PCPR divulgou que monitorava relatos de possíveis golpes e fazia levantamentos para identificar eventuais fraudes e verificar a destinação de valores arrecadados. Naquela ocasião, a instituição ressaltou que possíveis irregularidades seriam investigadas e que os responsáveis poderiam ser responsabilizados criminalmente.

Isso não significa, porém, que aquela apuração seja necessariamente a mesma que resultou nas buscas desta quarta-feira. Até o momento, as autoridades não divulgaram publicamente essa relação.

Câmara também acompanha ações após a calamidade

Outro ponto identificado pelo Portal Nova Santa Rosa durante a pesquisa é que a Câmara Municipal criou uma Comissão Especial Temporária para acompanhar a situação fiscal e a execução orçamentária e financeira das medidas adotadas em razão da calamidade.

Entre os documentos relacionados pela Câmara aparecem registros de acompanhamento da entrega de doações, reuniões da comissão e pedidos de informações encaminhados ao Executivo.

O município continuou oficialmente enfrentando os efeitos do desastre meses depois. Em maio de 2026 foi declarado novamente estado de calamidade pública nas áreas afetadas pelas tempestades e pelo tornado, situação posteriormente homologada.

Investigação segue sob sigilo

Até a noite desta quarta-feira, não haviam sido divulgados os nomes de eventuais investigados, nem a quantidade ou o valor dos produtos que supostamente possam ter sido desviados.

Também não há, até o momento, informação sobre prisões decorrentes desta etapa da investigação.

A apreensão dos documentos e computadores representa uma fase de coleta de provas. Caberá agora à Polícia Civil e ao Ministério Público analisar o material para verificar se efetivamente houve apropriação, desvio ou utilização irregular dos donativos.

Por se tratar de uma investigação em andamento, a realização das buscas não significa que os responsáveis pelos órgãos públicos tenham cometido crime. Eventuais responsabilidades individuais dependerão das provas reunidas durante a apuração.

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