Toledo salva 15 vidas: “Muitos pacientes precisando de uma doação”, diz médico sobre recorde de captação

por: Juan Matoso

Leitura: 2 minutos

O Hospital Bom Jesus (HBJ) de Toledo vivenciou neste domingo um marco histórico na área de transplantes, ao realizar duas captações de órgãos e tecidos em um único dia, totalizando 15 órgãos e tecidos que irão transformar a vida de pacientes na fila de espera do Paraná. A complexa logística envolveu o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Casa Militar do Paraná, além da fundamental atuação da Guarda Municipal de Toledo.

A primeira captação teve início na madrugada, por volta das 03h30, em uma paciente de 62 anos. Para viabilizar o transporte dos órgãos, a FAB enviou uma aeronave que pousou no aeroporto de Toledo às 05h30. Já a segunda captação, de um jovem de 27 anos de um município vizinho, começou às 08h00. O transporte do coração e fígado deste doador contou com o apoio da Casa Militar, que disponibilizou uma aeronave. Apesar do clima adverso com forte neblina, a equipe persistiu, com o avião precisando inicialmente pousar em Cascavel e a equipe seguindo de carro até Toledo. A aeronave decolou de Toledo por volta das 13h30, levando os órgãos para transplante. Os demais órgãos foram transportados por via terrestre.

“Inúmeras vidas estão sendo salvas hoje aqui”, emocionou-se Itamar Weiwanko, coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott) da Hoesp. Em entrevista, Itamar detalhou a complexidade da operação diante das condições climáticas: “A equipe do Hospital Bom Jesus, desde as 3 horas da manhã, está realizando duas captações. Foram inúmeros órgãos captados, tivemos um apoio de várias pessoas devido a esse clima que acabou prejudicando a aeronave saída e Curitiba, atrasou e depois na sequência, outra situação que a gente teve, a aeronave não conseguiu pousar no aeroporto municipal de Toledo, teve que pousar em Cascavel.”

Apesar dos desafios logísticos, o resultado foi expressivo: “No primeiro caso, a gente teve a doação de dois rins, o coração pra válvula que vai ajudar quatro pessoas, então temos seis, mais as duas córneas, oito, mais o fígado, nove órgãos. No segundo caso, a gente teve a doação de fígado, os dois rins, o coração foi bater e as duas córneas, mais seis órgãos, então totalizou 15 entre órgãos e tecidos, 15 pessoas saindo da fila do estado do Paraná.”

Ao todo, foram captados: 4 córneas, 2 fígados, 1 coração para transplante (batente), 4 rins e 4 válvulas cardíacas.

O médico Matheus Takahashi, cirurgião do aparelho digestivo e responsável pelo serviço de transplante na região, enfatizou a relevância do ato de doar para aqueles que aguardam na fila: “Bom, muitos pacientes, né, as filas são longas, muitos pacientes, todos precisando de uma doação, pra que tenham uma chance de aumentar sua expectativa de vida, ou que consigam pelo menos um aumento da sua qualidade de vida. Então esse ato é muito importante pra que a gente consiga melhorar essas filas, que consiga a esperança pra esses pacientes que estão nessas filas, tá?”

A atuação da Guarda Municipal de Toledo também foi fundamental, garantindo a fluidez do trânsito e a agilidade no transporte das equipes envolvidas entre o hospital e o aeroporto municipal.

Este domingo se torna um marco na história do Hospital Bom Jesus e do sistema de transplantes do Paraná, evidenciando a generosidade de duas famílias e o esforço conjunto de diversas equipes para oferecer uma nova chance de vida a 15 pessoas.

Da Redação

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