Uma grande operação foi desencadeada na manhã desta quinta-feira (18) em Santa Helena para investigar um suposto esquema de fraude em licitações do transporte escolar que pode ter causado prejuízos milionários aos cofres públicos do município.
Batizada de Operação Conluio II, a ação é coordenada pela Divisão Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO). Cerca de 120 agentes participam do cumprimento de 27 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a empresários e agentes públicos investigados.
Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra de sigilo de dados telefônicos e outras medidas para aprofundar as investigações. O objetivo é reunir documentos, equipamentos eletrônicos e demais provas que possam esclarecer a atuação do grupo.
Segundo a Polícia Civil, as investigações tiveram início após denúncias de irregularidades em processos licitatórios relacionados ao transporte escolar. Os levantamentos apontam que empresas teriam atuado de forma coordenada para afastar concorrentes e controlar os resultados dos pregões realizados pelo município em 2024.
Os investigadores também apuram o uso de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para ocultar os verdadeiros beneficiários dos contratos firmados com a administração pública.
Entre os indícios levantados está o valor pago pelo transporte escolar. Conforme a investigação, contratos em Santa Helena chegaram a registrar preços de até R$ 9,99 por quilômetro rodado, enquanto municípios vizinhos pagavam valores próximos de R$ 4,30 para serviços semelhantes.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o crescimento dos gastos públicos com transporte escolar. Os custos passaram de R$ 3,8 milhões em 2018 para R$ 10,4 milhões em 2024, um aumento de aproximadamente 175% no período.
A investigação também aponta possíveis irregularidades relacionadas à frota utilizada no serviço. Enquanto outros municípios adotam limites mais rigorosos para a idade dos veículos, editais de Santa Helena permitiam a utilização de ônibus com até 24 anos de uso.
Os envolvidos poderão responder por crimes como fraude à licitação, falsidade ideológica, formação de cartel, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações continuam e novas medidas não estão descartadas pelas autoridades.



















