O El Niño está se intensificando e as projeções climáticas indicam um cenário que merece atenção especial no Paraná nos próximos meses. Boletim divulgado nesta quarta-feira (30) por instituições federais aponta 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
Caso as projeções se confirmem, o atual episódio poderá ficar entre os El Niños mais intensos observados desde 1950. O fenômeno também deverá permanecer ativo pelo menos durante o primeiro trimestre de 2027. A atualização anterior da NOAA já indicava mais de 90% de chance de um evento muito forte durante a primavera e o verão 2026/2027.
Para quem vive no Paraná e, especialmente, no Oeste do Estado, o principal ponto de atenção é a chuva.
As projeções indicam precipitações acima da média no Sul do Brasil entre outubro e dezembro, além de maior possibilidade de episódios de chuva volumosa. O cenário também mantém a atenção para cheias, embora as projeções indiquem tendência de redução desse risco até dezembro.
Isso não significa que choverá continuamente nem que todas as cidades terão volumes acima da média. Previsões climáticas para períodos de vários meses mostram uma tendência regional, e a distribuição da chuva pode variar bastante dentro do próprio Paraná.
O aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial, que caracteriza o El Niño, continua elevado. A NOAA informou em sua atualização de setembro que o fenômeno estava se fortalecendo, com anomalias importantes na temperatura da superfície do oceano.
Agricultura também entra no radar
No campo, o cenário apresenta efeitos diferentes conforme a cultura. No Sul, a maior disponibilidade de umidade pode beneficiar algumas lavouras, como o milho, mas o excesso de chuva também pode representar dificuldades.
Períodos muito úmidos podem aumentar a pressão de doenças no trigo e atrapalhar operações de campo, incluindo o plantio de culturas de verão, como soja e arroz. O impacto efetivo dependerá principalmente da quantidade e da distribuição das chuvas nas próximas semanas.
Enquanto o Sul tende a enfrentar maior umidade, a situação é praticamente inversa em áreas do Centro-Norte brasileiro, onde a combinação entre temperaturas elevadas e redução das chuvas favorece o agravamento da seca e aumenta o risco de incêndios. Dados parciais de setembro apontam que o número de municípios brasileiros em situação de seca extrema saltou de quatro para 24, enquanto aqueles em seca severa passaram de 153 para 197.
Próximos meses exigem acompanhamento
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e altera a circulação atmosférica, influenciando o comportamento das chuvas e das temperaturas em diferentes partes do planeta.
Para o Oeste do Paraná, a tendência de um El Niño muito forte coloca principalmente a chuva no centro das atenções durante a primavera e o começo do verão. Entretanto, eventos específicos, como temporais, vendavais ou granizo, não podem ser previstos meses antecipadamente apenas pela presença do El Niño.
Por isso, além das projeções de longo prazo, será importante acompanhar as previsões meteorológicas de curto prazo e os alertas emitidos pelos órgãos oficiais à medida que cada sistema de instabilidade se aproxima da região.