Os estragos impressionaram e levantaram questionamentos sobre a possibilidade da ocorrência de tornados, mas as análises realizadas pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) não encontraram, até o momento, indícios desse fenômeno nas cidades atingidas pelo forte temporal de terça-feira (29).
O Simepar analisou imagens dos danos registrados em Toledo, Altamira do Paraná, Ivaiporã, Umuarama e Piraí do Sul, além de dados dos radares meteorológicos e imagens de satélite referentes aos locais e horários das ocorrências. A conclusão, até agora, é de que não há evidências de tornado.
Segundo o órgão, uma linha de instabilidade atravessou o Paraná a partir da tarde de terça-feira, associada à passagem de uma frente fria. O sistema provocou tempestades acompanhadas de fortes rajadas de vento e queda de granizo em diversas cidades até o início da madrugada de quarta-feira (30).
Ventos passaram dos 100 km/h
A força da ventania aparece também nos registros das estações meteorológicas. Em Santa Maria do Oeste, a rajada chegou a 105,12 km/h, enquanto em Umuarama foram registrados 101,5 km/h. Também houve registros de aproximadamente 85 km/h em Ubiratã e 82 km/h em Santa Helena.
Em Umuarama, o temporal teve consequências graves. O advogado Rafael Marchiani Paião, de 42 anos, morreu após ser atingido pelo desabamento de parte da estrutura de uma quadra de tênis. Outra pessoa ficou ferida.
Toledo teve destruição em vários pontos
No Oeste, Toledo ficou entre os municípios mais castigados. Na região do Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho, hangares foram destruídos e aeronaves sofreram danos. Estruturas metálicas foram arrancadas e lançadas a distância pela força do vento.
Também houve quedas de postes, árvores e interrupções no fornecimento de energia. Em Novo Sobradinho, Vila Nova e Novo Sarandi foram registrados problemas na rede elétrica, enquanto propriedades rurais e granjas também tiveram destelhamentos. No Biopark, um barracão teve a cobertura destruída.
A estação meteorológica do Simepar em Toledo registrou 48,2 milímetros de chuva em 24 horas, sendo 17,8 milímetros concentrados entre 21h e 22h. O fato de a estação ter registrado rajadas menores do que a intensidade aparente dos danos não significa que ventos mais fortes não tenham ocorrido em outros pontos do município, já que uma estação mede as condições especificamente no local onde está instalada.
Quase 19 mil pessoas afetadas no Paraná
O impacto foi sentido em diferentes regiões. Conforme balanço da Defesa Civil divulgado na quarta-feira, os eventos meteorológicos registrados nos últimos dias já haviam atingido 18.782 pessoas em 46 municípios paranaenses.
O levantamento apontava ainda 3.087 residências danificadas, 340 pessoas desalojadas e 26 desabrigadas. Clevelândia e Pinhão chegaram a decretar situação de emergência. Os números podem sofrer alterações conforme os municípios atualizam os levantamentos dos prejuízos.
Por que não foi tornado?
O Simepar explica que a avaliação não é feita apenas observando a dimensão da destruição. Meteorologistas cruzam imagens dos danos com informações de radar e satélite e analisam a forma como árvores, construções, postes e outras estruturas foram atingidos.
Fenômenos associados às próprias tempestades severas podem produzir rajadas extremamente fortes e causar grandes estragos sem que tenha ocorrido um tornado.
Por isso, apesar da intensidade da destruição registrada principalmente em cidades como Toledo e Umuarama, o posicionamento oficial do Simepar, até o momento, é de que não foram encontrados indícios de tornado nas ocorrências analisadas do temporal de terça-feira.