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Toledo • PR

PRIMATO VIABILIZA FIDC DE R$ 150 MILHÕES E ABRE NOVA FRENTE DE CRÉDITO PARA AVICULTURA E SUINOCULTURA NO PARANÁ

por: Marini

Leitura: 4 minutos
Foto: Assessoria Primato.

O campo tem um jeito particular de medir o tempo: pelo ciclo dos lotes, pela reforma dos aviários, pela troca de um equipamento que vinha sendo adiada há anos por falta de fôlego financeiro. Para os cooperados da Primato, esse relógio acaba de acelerar. Na sexta-feira, 21 de agosto, a cooperativa agroindustrial recebeu em sua sede, em Toledo (PR), o diretor-presidente da Fomento Paraná, Claudio Stabile, e o diretor de Mercado do Sicoob Central Unicoob, Carlos Schlick, para oficializar o lançamento de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de R$ 150 milhões, operação que vai ampliar o acesso a crédito para investimentos na produção de aves e suínos no oeste e sudoeste do Paraná.

A engenharia financeira por trás do fundo é o que torna a operação especial. Essa modalidade disponibiliza ao produtor crédito com taxa de 9% ao ano e prazo de dez anos, sendo dois de carência — um fôlego real para quem precisa investir antes de ver o retorno.

Isso só é possível porque os recursos foram estruturados em diferentes camadas: a Fomento Paraná, agência de fomento do Governo do Estado, entra com 20% do fundo, equivalentes a R$ 30 milhões, na cota sênior, a 4% ao ano; o Sicoob aporta R$ 75 milhões na cota mezanino; e a Primato participa com R$ 45 milhões na cota subordinada, composta por créditos de ICMS detidos pela cooperativa. É essa combinação de taxas que permite ao produtor rural acessar uma linha de crédito com juros inferiores aos das principais linhas de financiamento rural do Plano Safra.

Um instrumento pensado para destravar o crédito no campo

Para Claudio Stabile, o que viu de perto no encontro superou a expectativa criada pelos relatórios que chegavam à agência. “Eu conheci a Primato, primeiro, por meio de documentos, e hoje, com a apresentação do Sabadin e da equipe nesse encontro, eu fiquei impressionado. É uma cooperativa jovem, mas muito pujante e com um futuro próximo e fantástico”, afirma.

Stabile atribui ao governador do Paraná a percepção de que o Estado precisava ampliar sua atuação no crédito rural. Segundo ele, a participação estadual não resolveria sozinha a questão, mas contribuiria para destravar o acesso aos recursos. “A questão do FIDC para o agro foi uma sensibilidade do governador Ratinho Júnior, que entendeu que o Estado tinha que atuar também nessa frente. Claro, proporcionalmente ao Plano Safra é pequeno, mas ajuda muito”, pontua.

Na avaliação do diretor, o esforço da cooperativa em aperfeiçoar seus próprios processos de atendimento também merece destaque: “Todo esse trabalho da Primato, seja melhorando seu processo para atender o cooperado, ou levando diretamente ao cooperado, isso é fantástico, eleva ainda mais o agro do nosso Paraná e o agro brasileiro.”

O papel do cooperativismo financeiro

Do lado do Sicoob, Carlos Schlick destaca um dos principais resultados da operação: a taxa final ficou abaixo da praticada no Plano Safra. “Esse lançamento do FIDC em parceria com a Fomento Paraná é uma operação muito relevante, principalmente para o produtor rural, em que a Primato está conseguindo entregar uma taxa de juros abaixo do que foi divulgado no Plano Safra”, explica.

Na estrutura do fundo, a instituição não entrou apenas com capital. Além da cota mezanino de R$ 75 milhões, o Sicoob também é responsável pela análise de crédito dos produtores atendidos, um papel técnico que, segundo Schlick, dá consistência ao objetivo original do Estado: “Para o produtor rural isso é extremamente relevante e esse era um dos objetivos do Governo do Estado, e o Sicoob se sente orgulhoso em participar com uma cota mezanino, além de prestar serviço na análise de crédito desses produtores.”

Ele atribui o resultado ao formato cooperativista da operação e defende que o modelo se repita: “O cooperativismo se fortalece em ações como essa e esperamos que o governo continue fomentando esse tipo de atividade através de chamadas para novos Fiagros.”

Uma cooperativa que cresce no ritmo da produção

Os números recentes ajudam a entender por que a Primato despertou o interesse dos parceiros financeiros. No último ano, a cooperativa faturou R$ 1,9 bilhão, alta de 26% sobre o exercício anterior. A pecuária puxou a receita, com R$ 792 milhões, seguida pela área de alimentos (R$ 441 milhões), a industrial (R$ 347,9 milhões) e a agrícola (R$ 325 milhões) — um retrato de uma cooperativa que já não depende de uma única frente para crescer.

É nesse ritmo que Sabadin projeta o próximo passo. “Já avançamos bastante nos últimos anos, mas esse é só mais um degrau. Nossa meta é chegar a R$ 2,5 bilhões de faturamento em 2026, e esse investimento no crédito ao cooperado é peça-chave para elevar a produção e sustentar esse crescimento”, afirma.

Investimento que chega direto à porteira

Quem recebe o recurso na outra ponta é o cooperado, e é nele que Sabadin concentra o foco. “O FIDC de R$ 150 milhões vai permitir que nossos cooperados invistam na ampliação e modernização de suas estruturas, com mais tecnologia, eficiência e segurança”, diz.

Sabadin traduz o número em efeito prático sobre a região onde a cooperativa atua: “Mais do que crédito, esse recurso representa crescimento no campo, geração de renda, empregos e desenvolvimento para toda a nossa região. A Primato cresce junto com o cooperado, e esse é o nosso principal objetivo.”

Do campo à mesa do consumidor

O reflexo do investimento, segundo Sabadin, não para na porteira da propriedade, ele chega ao prato do consumidor. “Esse incremento na produção de frango é suficiente para alimentar, em média, 500 mil pessoas por ano, considerando o consumo médio brasileiro de 40 quilos de carne de frango por habitante. Já na suinocultura, o impacto é ainda maior: o aumento na oferta atende cerca de 1,5 milhão de pessoas, com base no consumo médio nacional de 20 quilos per capita ao ano. É a Primato cada vez mais presente na mesa das pessoas, levando alimento saudável direto do campo”, complementa.

Olhos postos no Mato Grosso do Sul

A expansão também aparece no radar da cooperativa fora das fronteiras paranaenses. A Primato já tem presença na região sul do Mato Grosso do Sul, onde opera uma unidade de recebimento de grãos e uma fábrica de rações e minerais, e tem buscado novas parcerias e investimentos para ampliar essa atuação no estado.

Foi nesse contexto que, em agosto, durante o SIAVS 2026, maior evento das cadeias produtivas de proteína animal do Brasil, realizado em São Paulo, a diretoria da cooperativa se reuniu com a Secretaria de Agricultura do Mato Grosso do Sul para discutir novas integrações na região.

No Paraná, especificamente, com o FIDC estruturado, a etapa seguinte já está definida: os recursos começam a chegar às propriedades paranaenses, por meio de reformas de aviários, novos equipamentos e ampliação de granjas. É nesse ponto, na obra que sai do papel, que se vai medir o real alcance dos R$ 150 milhões para a produção do estado.

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