Um gesto de solidariedade realizado em meio a um dos momentos mais difíceis enfrentados por uma família poderá representar uma nova chance de vida para outras pessoas. Familiares de dois pacientes internados no Hospital Bom Jesus, em Toledo, autorizaram a doação de órgãos nesta terça-feira (25), após a confirmação de morte encefálica.
A captação resultou na retirada de dois rins, dois fígados, um coração e quatro córneas. Os órgãos e tecidos foram destinados a pacientes que aguardam por transplantes.
Os rins, fígados e o coração seguiram para Curitiba, enquanto as córneas foram encaminhadas ao Banco de Olhos de Cascavel.
Operação especial para ganhar tempo
A logística para o transporte mobilizou diferentes órgãos públicos. Por volta das 7h30, a Guarda Municipal de Toledo acompanhou o deslocamento entre o Hospital Bom Jesus e o Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho, proporcionando maior agilidade e segurança ao trajeto.
A operação também teve apoio da Casa Civil e da Casa Militar do Governo do Paraná. Uma aeronave foi utilizada para transportar os órgãos que seguiram para a capital paranaense.
A rapidez é uma das etapas fundamentais desse processo. Depois da retirada, os órgãos precisam chegar aos centros transplantadores dentro de períodos específicos de preservação, o que exige uma verdadeira corrida contra o tempo e integração entre equipes hospitalares, centrais de transplantes, transporte terrestre e aviação.
O Aeroporto de Toledo vem desempenhando papel importante nessa logística. Ainda no dia 12 de agosto, durante outra captação realizada no Hospital Bom Jesus, foi informado que o terminal já havia ultrapassado 50 operações relacionadas ao transporte aeromédico e de órgãos somente em 2026.
Hospital realizou outras captações neste mês
Esta também não foi a única mobilização recente no Hospital Bom Jesus. No dia 15 de agosto, a unidade realizou outra captação de múltiplos órgãos após a família de um paciente de 67 anos autorizar a doação. Na ocasião, foram captados fígado, rins e córneas.
Poucos dias antes, em 12 de agosto, outra família havia autorizado a doação após a confirmação de morte encefálica de uma paciente. Foram captados fígado, dois rins e duas córneas.
Uma decisão que pode mudar outras vidas
A doação de órgãos é fundamental para pessoas que dependem de um transplante para sobreviver ou recuperar qualidade de vida. Segundo o Ministério da Saúde, os órgãos são destinados a pacientes inscritos em uma lista de espera organizada e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes.
No Brasil, mesmo que uma pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora, a retirada de órgãos e tecidos após a morte depende da autorização da família. Por isso, o Ministério da Saúde destaca a importância de conversar sobre o assunto e deixar esse desejo claro aos familiares. Não é necessário registrar a decisão em cartório ou incluí-la em documentos.
A decisão tomada pelas duas famílias em Toledo mostra justamente a dimensão desse gesto: em meio à despedida de seus familiares, elas permitiram que órgãos e tecidos fossem destinados a pessoas que aguardavam por uma oportunidade de continuar vivendo ou recuperar sua qualidade de vida.






